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Bill Oliveira William

terça-feira, 15 de maio de 2012

Carnaval de Lazarim / O Diabo no Carnaval Parte 3




''O Carnaval de Lazarim, no concelho de Lamego, é sem dúvida dos mais genuínos carnavais portugueses, mantendo bem vivas tradições ancestrais que perduraram ao longo dos tempos. Máscaras carrancudas de madeira, esculpidas por artesãos da aldeia, são nesta época festiva utilizadas por jovens de ambos os sexos - os caretos e as senhorinhas.''


Muito se assemelhando aos Festejos de Folia de Reis do Estado do Rio de Janeiro, ( Breve uma postagem sobre este festejo aqui ) incluindo as vestimentas, que provavelmente descende deste festejo lusitano.

Este texto abaixo postado, foi retirado na íntegra de http://www.maraoonline.com
é de domingo, 22 de fevereiro de 2009  
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CARNAVAL/LAMEGO: Diabos à solta pelas ruas de Lazarim


Os diabos vão andar à solta pelas ruas de Lazarim, misturando-se com senhorinhas, bruxas e até agentes da GNR. São os caretos feitos em madeira de amieiro, que tornam único o Carnaval desta vila de Lamego.
    Nas vésperas do Entrudo, meia dúzia de artesãos agarram-se afincadamente aos formões e às goivas para transformarem um tronco de madeira em máscaras carrancudas.
    Sentado num sofá de um improvisado "atelier" onde, por esta altura do ano, passa os seus serões, Adão Almeida, de 46 anos, dá os retoques finais às ventas do diabo. Mais um cornudo.
Desde que começou a fazer caretos, o que aconteceu "meio ano antes de casar, há 25 anos", já esculpiu diabos e senhorinhas - os dois mais tradicionais - um burro, um porco, um boi e até um canguru, entre muitos outros.
Mas é dos belzebus chifrudos de que mais gosta. Se tiver tempo e madeira suficiente, aplica-se para surpreender aqueles que participam no Carnaval de Lazarim.
Uma máscara simples demora "quatro ou cinco serões" a ter a forma final, mas Adão Almeida lembra aquela que fez com "dois grandes sardões na cara, um de cada lado, e no chifre uma sardanisca mais pequena", que lhe ocupou 31 serões, mas lhe rendeu um bom dinheiro.
"A média é 250 euros, mas já tive peças aqui por praticamente 500 euros", contou.
O peso é outro dos aspectos a ter em conta, havendo aquelas que chegam aos oito quilos, "dependendo do tamanho do bicho".
No ano passado, lembrou-se de fazer uma máscara para a sua neta, com cerca de um ano.
"Fi-la muito pequenina, muito trabalhosa e a miudinha lá saiu, toda contente. Têm-na lá guardada em casa, para mim foi uma alegria", afirmou.
Mas não há amor como o primeiro. O artesão não esquece a sua primogénita que, apesar de ter sido esculpida ao sabor da imaginação e de na altura não ver televisão, se assemelhou ao rosto de Álvaro Cunhal.
"Naquele ano apareceu um colega meu com uma máscara de madeira. Já tinha visto algumas vezes mas nunca tinha pegado nelas. Peguei nela, gostei daquilo. Vim para casa e para o ano a seguir tive de fazer uma", recordou.
"Fui para a rua e diziam 'olha, é a cara do Álvaro Cunhal'", contou, lamentando não a ter hoje consigo de recordação, porque lha roubaram no Porto, no Mercado Ferreira Borges.
José Costa, mais conhecido por Costinha, de 36 anos, teve melhor sorte. Ainda hoje a sua primeira máscara, que fez com doze anos, está exposta na Casa do Povo de Lazarim, ao lado da de um primo seu.
A ingenuidade do pequeno rosto de criança do primeiro careto contrasta com aquele que está agora a talhar e que promete ver-se ao longe: um diabo com uns cornos tamanho XXL, que medem 70 centímetros.
"Este já é o terceiro diabo que faço cornudo. Comecei com um diabo com 50 centímetros (de cornos), passou para 60 e agora já vai com 70 centímetros de comprimento. E para o ano não sei se não chegará aos 80", avisou.
Todos os anos "tem sido sempre o mesmo cornudo a aguentar" com as máscaras de cornos avantajados, contou, esclarecendo de imediato que o moço em causa, "embora já namore", só será assim cornudo "no dia de Carnaval, com a máscara".
Outro careto saído da oficina de Costinha que promete chamar a atenção é o do agente da GNR.
"Já tenho um GNR executado, não vai ser muito bem visto. Vamos ter aí elementos da GNR a tomar conta do trânsito…", disse.
Resta a Costinha confiar no ditado que reza "É Carnaval, ninguém leva a mal".
** Ana Maria Ferreira (texto) e Paulo Novais (fotos), da Agência Lusa **
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Este artigo abaixo, muito interessante é de: http://www.douronet.pt/default.asp?id=59&mnu=59

A leitura dos Testamentos da Comadre e do Compadreé dos pontos altos dos festejos. A moça inicia a leitura do Testamento do Compadre e de imediato surgem as críticas aos rapazes da vila, com a sagacidade de quem aguardou o ano inteiro para dizer umas verdades... e disse-as todas, porque se ainda algumas guardou, então talvez seja melhor não as dizer... sabe-se lá o que vai sair ...
Segue-se-lhe o moço, bem trajante e aperaltado q.b., de patilhas em riste e chapéu domingueiro. Logo na primeira quadra se repara que a toada de resposta vai estar ao nível do praticado pela sua colega. A compita provoca gargalhadas sucessivas na multidão que assiste e se diverte com a sagaz crítica social. Em Lazarim, nessa tarde vale tudo ou "aonde estivesteis tu ómem que num ouvisteis falar de ti"...

Testamento do Compadre
[ uma rapariga da vila lê o testamento a um rapaz ]
Quando tocares no apito
Não o mostres a ninguém
Apenas à namorada
Para ela o tocar também
Não sei que raio vos deu
Parece que é comichão
Passais a vida a coçar
O instrumento com a mão.
Sois todos uns paneleiros
que não valem 2 vinténs
Ninguém quer de vós saber
Até vos mijam os cães.
Alguns vêm de propósito
Para meter o focinho
Mas aquilo que nós queremos
É que leveis no cuzinho.
Alguns metem nojo
Com o paleio que têm
Se isto é tão ruim
Porque diabo cá vêm
De vós me vou despedir
Ó grande rapaziada
Não gostais de raparigas
Juntos fazeis marmelada.
[excerto do Testamento do Compadre de 2000]
Testamento da Comadre
[ uma rapaz da vila lê o testamento a uma rapariga ]
Olá queridas comadres
Olá grandes feiticeiras
Cá estamos mais uma vez
Para vos tirar as peneiras.
Sois todas umas cadelas
Quase me matais de fome
Senão tivesse vergonha
Tratava-vos por outro nome.
Tende cuidado com o burro
Que ele é abonado
Se a dele não chegar
Tendes aqui mais um bocado
Hoje em dia as raparigas
São de lhe tirar o chapéu
Se lhes tirarmos os trapos
Ficam com os podres ao léu
Olá menina Márcia
Condutora de fim de semana
Não sei qual foi a ideia
Da tatuagem na mama
Já estou farto desta merda
Só me apetece dar um grito
Sois todas umas corrumbeiras
Ide todas levar no pito.
[excerto do Testamento da Comadre de 2000]

Localização

Lazarim fica a poucos minutos da cidade de Lamego, com acesso pela estrada nacional EN226 que une Lamego a Tarouca e desvio pela Estrada Municipal que conduz a Lazarim.
Texto: Ferreira Matos / Fotografias: ©EUROWEB



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