segunda-feira, 7 de setembro de 2026

DIANTE DO DESÂNIMO EM SALA DE AULA HOJE...




Um artigo meu publicado no Blog Versos de Fogo e Pedagogia da Coragem
É frustrante dar aula para as crianças de hoje. Elas estão completamente alienadas, desfocadas, agitadas, não conseguem compreender limites, incomodam-se umas com as outras o tempo todo, incomodam-se consigo mesmas, fazem birra — birra consigo mesmas, birra com os outros colegas —, brigam e birram com os professores. Estão agitadas, nervosas, arredias.
Isso é culpa das crianças?
O açúcar que elas consomem e a quantidade de horas que ficam diante das telas provocam grande parte dessa ansiedade, mas os conservantes, o açúcar e a grande quantidade de telas que seus pais consumiram antes de as gerarem, enquanto as criavam, e agora também contribuem para essa ansiedade.
Nunca se falou tanto em ansiedade. Talvez seja o mal do século, ao lado da depressão.
Mas talvez o mal do século seja o espelho de Narciso em sua mão.
O novo espelho de Narciso é este celular, que espelha para você apenas aquilo com que você se identifica, aquilo de que você gosta, aquilo que você ama, aquilo que você quer. Ou seja: espelha o que você é.
Seja violência, seja partido político agressivo, seja partido político mentiroso, seja partido político superpacifista, seja o político salvador, seja a cantora da moda, o relógio da moda, a roupa da moda, o cabelo da moda, o que for.
Os pais esqueceram de criar seus filhos.
E os professores?
Alguns também são pais, alguns também são ansiosos, alguns também são viciados em telas, alguns também são viciados em açúcar, alguns, se não todos, também ansiosos e depressivos.
Como resolver essa situação?
Um meteoro de conhecimento?
A descida de Cristo das nuvens?
O Pentecostes da pedagogia?
A volta à leitura?
O que precisa mais, depois de uma pandemia global, para que a sociedade acorde, dê as mãos, se una para construir o futuro?
O que mais precisa acontecer?
Guerras?
Morte de mulheres grávidas e doentes em hospitais por conta das bombas?
Mais ilusão de acreditar que o petróleo é necessário?
Em plena era da energia solar e da inteligência artificial, somos cada vez mais burros, mais agitados e ansiosos.
E a nossa dívida com as crianças?
Notem que temos uma dívida com a humanidade, com o povo preto, com a mulher, com os gays, com os povos originários, mas este é outro assunto.
Voltemos.
A nossa dívida com as crianças só aumenta, porque a nossa dívida com a nossa criança interior também só aumenta.
Claro que uma sociedade agitada vai fabricar crianças agitadas.
Claro que uma sociedade feita de gente fabricada, de replicantes, fabricará replicantes: bonecos, androides, bonecos, marionetes de fios invisíveis — fios invisíveis do marketing, fios invisíveis do desejo contínuo de ter, ser, aparecer, ganhar.
Depois de uma pandemia, volto a dizer: o que mais precisa acontecer para que a gente dê as mãos e cuide do planeta?
Toda voz que surge hoje parece que está querendo voto.
Toda voz que surge parece que quer palco.
O que devemos fazer?
Ah, aquele meteoro de conhecimento.
Ah, aquele Pentecostes da pedagogia.
Ah, a descida do Cristo em escadinhas de nuvens fofas.
Cadê?
Primeiro, ele tem que voltar dentro de você, que fala tanto dele.
É, realmente, esse mundo e este diagnóstico parecem pessimistas, parecem nada acadêmicos, mas deveriam ser muito lidos.
Modéstia à parte, foi muito bem pensado.
E não só por mim, que o escrevo.
Foi conversado com professoras de diversas idades, pelos corredores da escola, quase em cochicho; pelas escolas onde dei aula; CRAS, assistência social, CAPS, projetos de cultura; pelos meus 27 anos de magistério e pedagogia, mesmo que tendo me formado apenas há cinco anos.
Três anos?
Nem me lembro.
Filho, sobrinho de professor, professorzinho é.
Até que um dia, depois de tanto pessimismo, ao ver aqueles zumbizinhos, aqueles agressivinhos, iguais ao filme Exterminador do Futuro — peguem a referência quem tiver mais de 37 —, Eu entendi:
Eles precisavam de espaço para se expressarem, para gastarem energia, para se conhecerem.
Eles precisavam e precisam de espaço, de gastar energia, de se conhecerem.
Eles precisam jogar para fora aquela luta que vivem em casa, aquela dor que ganharam dos pais e à qual ainda não sabem dar nome, nem sabem que ganharam dos pais aquilo.
Eles precisam de um pouco de desregra.
Eles precisam de um pouco de correr para lá e para cá e machucar os joelhos.
Eles precisam de um pouco de pôr as mãos e os pés na terra, sim.
Por isso eu acredito no ensino integral, mas não obrigatório, porque nada deve ser obrigado.
Por isso a gente precisava tanto de mais verba para educação e menos verba para deputado, senador e aposentados das Forças Armadas e seus eternos, eternos herdeiros de aposentadoria.
Por isso a gente precisava do tal meteoro de conhecimento, do tal Pentecostes da pedagogia, da tal volta do Cristo, nem que seja dentro de cada um.
Ou do Buda, ou do Oxalá, ou da iluminação, do pajé, do saci.
Mas que a gente deixasse essas crianças viverem.
E que a gente tivesse um pouquinho de coragem de tirar, nem que fosse, 30% do açúcar, 30% da tela e 30% da dor que damos a elas; 30% da culpa que a gente põe nas costas delas e na conta delas, para que elas vivam os erros delas e, portanto, o aprendizado delas.


Biu Oliveira

domingo, 28 de junho de 2026

Seja Mais

Nunca carregue a culpa e muito menos a vergonha de um hipócrita.

O hipócrita adora se aliviar jogando a culpa nos outros.

Quando você sabe quem você é e mais, 
quando você é o que escolheu ser, 
ninguém vai te envergonhar por isso!


domingo, 19 de abril de 2026

Sobre autovalor e olhar do outro


Aceita que o que as pessoas pensam sobre você é sobre elas, não é sobre você e viva em paz.

E por aí vai: O modo como as pessoas te veem é como elas veem o mundo e a elas mesmas não é sobre você. Assim a maneira como elas te tratam e por aí vai...

Cabe a você apenas escolher o que deixa entrar em sua mente e coração.

Não se meça pela medida dos outros, não se tempere pelo tempero dos outros.

O mundo, a realidade é maior do que as pessoas que te olham torto.



quinta-feira, 19 de março de 2026

Energia Limpa cura a Guerra



Se já estivéssemos usando Energia Solar, limpa e gratuita,

não estaríamos passando por MAIS UMA guerra pelo petróleo.

O combustível fóssil é poluente e pode acabar em breve,

e o ser humano ainda ambiciona falsos tesouros.

Ainda usa o poder para controlar uns aos outros...

Ainda falta uma longa caminhada.

Mas estamos aqui com o farol aceso!

Precisamos deixar esse ensinamento para as gerações futuras!



sábado, 14 de março de 2026

Reflexão da Copa 2014 e Olimpíada de 2016 no Rio Brasil

 


Imagem criada no pippit

O brilho dos megaeventos e a ressaca econômica

Estive no Rio de Janeiro a trabalho recentemente e me lembrei imediatamente da época das grandes obras para a 2014 FIFA World Cup e, logo depois, da 2016 Summer Olympics, realizadas no Brasil. Naquele período havia uma atmosfera estranha: uma mistura de entusiasmo nacional com uma inquietação crescente. Nas redes sociais — ainda dominadas pelo Facebook — pessoas vociferavam, divididas entre orgulho e desconfiança.

Na época escrevi algo que ainda ecoa hoje:

“Agora vem aí a Copa do Mundo de 2014, e o país já sente a credibilidade de seu mercado se fortalecer, mas a custo de quê? Será que foram estudados os prós e os contras? Os déficits desta Copa e mais, de uma Olimpíada dois anos depois?”

Essa pergunta, feita ainda no calor do momento, tornou-se posteriormente objeto de muitos estudos acadêmicos.

O primeiro sintoma: a inflação urbana

Outro trecho daquele momento registrava um fenômeno que qualquer morador das grandes cidades percebia:

“O primeiro sintoma foi o aumento dos preços dos aluguéis nas cidades-sede dos jogos.
No Rio de Janeiro um barraco na favela, sem vista para o mar, está custando 1.000 a 1.200 mensais.”

Esse tipo de efeito não é incomum. Megaeventos geram ondas de especulação imobiliária porque a expectativa de turistas, investimentos e visibilidade internacional aumenta artificialmente o valor da terra urbana. Muitas vezes esse aumento não corresponde a um crescimento real da renda da população.

O resultado é o deslocamento social: moradores são empurrados para regiões mais distantes enquanto áreas próximas às zonas de interesse do evento se valorizam rapidamente.

O paradoxo dos megaeventos

A promessa oficial desses eventos costuma seguir três argumentos:

  1. aumento do turismo

  2. geração de empregos

  3. modernização da infraestrutura

De fato, pesquisas mostram que há um efeito econômico positivo no curto prazo, especialmente no período de preparação para os jogos. Porém esse crescimento costuma desaparecer rapidamente depois do evento.

Isso ocorre porque grande parte da atividade econômica gerada está concentrada na construção civil e em investimentos temporários, não em setores produtivos permanentes.

O problema estrutural: gastar bilhões para duas semanas

Outro aspecto revelado por estudos é que esses eventos possuem um problema estrutural: quase sempre dão prejuízo.

Pesquisas que analisaram Copas e Olimpíadas ao longo de décadas concluíram que mais de quatro em cada cinco eventos terminaram com déficit, com custos médios de cerca de 2,8 bilhões de dólares contra receitas de cerca de 1,7 bilhões.

Ou seja: economicamente falando, são eventos que dependem de subsídios públicos para existir.

O “elefante branco” urbano

Um efeito bastante visível em países mais pobres é a criação de infraestruturas que não têm utilidade depois dos jogos.

Estádios, arenas e instalações esportivas são construídos para modalidades pouco praticadas localmente. Após o evento, muitas ficam abandonadas ou custam milhões por ano para manutenção.

Esse fenômeno ficou famoso com casos como:

  • 2004 Summer Olympics em Atenas

  • 2010 FIFA World Cup na África do Sul

  • arenas construídas para a Copa de 2014 no Brasil

Em Atenas, por exemplo, grande parte dos estádios construídos para os jogos acabou subutilizada ou abandonada poucos anos depois.

Por que países pobres sofrem mais?

Países ricos conseguem absorver melhor o impacto porque:

  • já possuem infraestrutura pronta

  • têm maior capacidade fiscal

  • utilizam instalações existentes

Já países em desenvolvimento muitas vezes precisam construir tudo do zero: aeroportos, metrôs, arenas, avenidas, hotéis.

Assim, bilhões que poderiam ir para saúde, educação ou transporte cotidiano são direcionados para projetos urgentes e caros.

A euforia antes, a ressaca depois

O que se observa historicamente é um ciclo típico:

  1. Anúncio do evento → entusiasmo, valorização financeira e expectativa econômica

  2. Período de obras → crescimento artificial e especulação

  3. Realização do evento → pico turístico e visibilidade global

  4. Pós-evento → dívida pública, manutenção de estruturas e queda da atividade

Economistas descrevem esse fenômeno como crescimento antecipado: o desenvolvimento ocorre antes do evento, não depois.

Voltando à memória daquele tempo

Outro trecho que escrevi na época dizia:

“A população é excluída para mais e mais longe do centro da cidade… e bairros periféricos começam a virar ‘nobres’ pela jogada milionária que vai beneficiar apenas alguns.”

Hoje sabemos que essa percepção não era apenas impressão. Muitos estudos sobre a 2014 FIFA World Cup e a 2016 Summer Olympics apontam processos de gentrificação e deslocamento urbano nas áreas próximas aos projetos olímpicos.

Ou seja, o que parecia apenas um desabafo de quem estava vivendo o momento acabou se revelando também um diagnóstico social.

Uma pergunta que continua válida

Talvez a questão central nunca tenha sido se esses eventos são bons ou ruins em si.

A pergunta mais honesta talvez seja:

para quem eles são bons?

Para as federações esportivas internacionais, para patrocinadores globais e para setores específicos da economia — turismo, construção, publicidade — eles costumam ser extremamente lucrativos.

Para a população local, especialmente em países desiguais, o legado é muitas vezes mais ambíguo: orgulho simbólico de ter sediado o mundo, mas também dívidas, especulação e estruturas que ficam como monumentos de um momento que passou.


A Corrupção bebeu quase todo o lucro...

A corrupção e o desmando usaram todo o lucro e o povo mais uma vez nada viu... 

A zona portuária do Rio continua crescendo, mas é especulação imobiliária, não há escolas boas, nem hospitais, e nem mesmo espaços de esporte e lazer... 

Ao final penso que o ser humano recebe apenas o que ele tem em foco... 

Pensemos...




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que te PARIU!!!!!!!!!!




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