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domingo, 9 de novembro de 2025

William poeta marginal transbarroco inconfidente


Os primeiros cinco livros de poemas de William Marques de Oliveira em Ebooks gratuitos.:

Coração Selvagem

O Beijo de Estrela

Poesia na Carne

Eu Venci o Mundo

Estrelas Cadentes ao Meio Dia

Poemas do final de 1999 quando começou a escrever no início da juventude. Seus versos marcados pela luta contra a depressão e as crises dos 19 aos 20 anos, a crise social de um país de terceiro mundo, abordando temas como a morte, o amor, o sexo, a vida e o invisível... Tudo isto somado ao desejo de ser artista na cidade grande e a uma selvageria mítica. Uma juventude sem google e em plena revolução cultural da globalização pop art.




 

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Coração de Cavaleiro Vermelho

Coração de Cavaleiro  

Todas as dores tem nome e origem!

Cada ferida um troféu!

E cantam na noite escura

a tua saudade

sempre!

Cada sonho é um motivo

para ter fé na vida...

Na certeza

de que

"é possível mudar as estrelas!"

 

E nós amigos mudamos juntos

os Rumos do Mundo!

Nosso Mapa Astral!

Nosso destino foi Curado...!

Igual num filme de cavaleiro



William Marques de Oliveira




sexta-feira, 17 de outubro de 2025

sábado, 11 de outubro de 2025

William... Um mancebo profano...

Quadras Incertas ao Pássaro Convulso


Se tu te sentas à noite

na varanda escura...

E me vez passar a luz da rua

Debaixo da solitária lua

E teu sonhar é com tuas

todas deusas nuas!

Saiba que sonho é com tua gostosura

E que por ti, ando perdido...

Danado de coração partido

E todos os meus versos brotam

ultimamente apenas

entre as tuas coxas grossas...

É isto apenas de mim!

o meu viver: 

Sonhar com teu beijo

Deitar no teu peito imenso

E sonho ainda mais quimeras!...

Bandidas e deslavadas cenas:

Teu rosto róseo e forte

O pescoço robusto e teso

Tuas mãos fortes

irresolutas

me segurando

E eu

tal qual pássaro convulso...

me debatendo

querendo escapar

em asas nervosas

e topete empinado!

Colidindo-me

tremendamente 

De volta a tua cintura...

Tremendo de prazer e duvida...

Contra as tuas pernas duras-duas pedras

Duas rochas de granito obeliscas!

Tentando me conformar com esta vida

intensamente ardente!...

 

Refrão:

Teu nome labirinto achava perdido!

Serpente esquecida de voar...!

Até que eu cheguei e tivestes medo

Do voo que eu podia te ensinar!


William Marques de Oliveira


_________________________________________________________________


Análise Literária do Poema

de Gepeto Paulo Timóteo 


“Quadras Incertas ao Pássaro Convulso” é uma peça de erotismo simbólico e confessional muito intensa. 

Ilustração feita através de prompt do poema. No Canva

1. Título — “Quadras Incertas ao Pássaro Convulso”

O título já abre o texto com uma contradição instigante:

  • “Quadras incertas” sugere uma forma clássica (a quadra poética), mas que aqui é posta em dúvida — incerta, irregular, cambaleante.

  • “Pássaro convulso” é uma imagem fortíssima. O pássaro representa o espírito, o desejo ou a alma tentando libertar-se, mas o adjetivo convulso indica que essa liberdade é dolorosa, trêmula, carnal.

👉 Em síntese, o título anuncia um conflito entre o ideal e o instintivo, o sonho e o corpo.


🔹 2. Primeira estrofe — a distância e o desejo

“Se tu te sentas à noite /
na varanda escura... /
E me vês passar a luz da rua /
Debaixo da solitária lua”

Aqui o eu lírico fala de fora, observando o outro (ou sendo observado).
Há uma cena noturna, de voyeurismo suave, envolta em melancolia. A lua, “solitária”, projeta o clima de solidão e desejo não realizado.
O “luz da rua” que passa simboliza o desejo que tenta atravessar o escuro — talvez o lampejo do amor em meio à distância e à repressão.


🔹 3. O erotismo franco e a confissão

“Saiba que sonho é com tua gostosura /
E que por ti, ando perdido...”

Aqui o poema abandona o pudor lírico e se lança num erotismo confessional direto.
A palavra gostosura é popular, quente, quebrando a métrica e o tom clássico da quadra — uma mistura de lirismo e fala do povo.
O “perdido” é tanto emocional quanto espiritual: o eu lírico se reconhece vítima do desejo, mas sem arrependimento.


🔹 4. O corpo como templo da inspiração

“E todos os meus versos brotam
ultimamente apenas
entre as tuas coxas grossas...”

Essa passagem é brutal e bela ao mesmo tempo.
O ato de escrever — normalmente ligado à mente, à alma — agora nasce do corpo, do sexo.
O poeta transforma o desejo em verbo: o corpo amado vira a fonte da poesia.
É uma inversão romântica e simbólica — Eros como força criadora.


🔹 5. O sonho e o amor carnal

“Sonhar com teu beijo /
Deitar no teu peito imenso...”

A linguagem suaviza aqui, o ritmo desacelera, e surge um tom de ternura.
Mas logo em seguida o poema mergulha novamente em imagens eróticas:

“Teu rosto róseo e forte / O pescoço robusto e teso / Tuas mãos fortes...”

O erotismo volta, agora mais maduro, mais físico e escultórico — quase como uma adoração ao corpo masculino.
O léxico (robusto, teso, forte) constrói uma figura vigorosa, viril e sagrada ao mesmo tempo.


🔹 6. A metáfora do pássaro convulso

“E eu / tal qual pássaro convulso... / me debatendo / querendo escapar...”

Essa é a imagem central e simbólica do poema.
O eu lírico é esse pássaro — arrebatado pelo prazer, pela dúvida, pela luta entre liberdade e submissão amorosa.
A convulsão é tanto corporal (do gozo) quanto existencial (do medo de se perder no outro).

Essa tensão é o coração do poema: o amor como prisão desejada, a liberdade como medo.


🔹 7. A colisão do desejo

“Colidindo-me tremendamente / De volta à tua cintura...”

O verbo “colidir” é físico, violento e sensual.
A colisão não é destrutiva — é o ato da fusão: carne com carne, alma com alma.
Os versos seguintes — “duas pernas duras-duas pedras / Duas rochas de granito obeliscas” — trazem uma escultura de virilidade, quase mitológica.
Essa escolha imagética (rocha, granito, obelisco) confere solidez e sacralidade ao corpo amado.


🔹 8. O refrão — mito e transcendência

“Teu nome labirinto achava perdido!
Serpente esquecida de voar...!
Até que eu cheguei e tivestes medo
Do voo que eu podia te ensinar!”

Aqui o poema atinge o nível místico e simbólico.
O “labirinto” é a confusão interior do amado; a “serpente esquecida de voar” é uma imagem paradoxal e genial — a serpente representa o desejo terrestre, mas aqui se sugere que ela já teve asas, que poderia elevar-se.

O eu lírico se vê como aquele que desperta esse voo — o eros redentor, que traz consciência e transcendência através do desejo.
Mas há também o medo do amado: o medo de se ver transformado pelo amor.


🔹 9. Síntese literária

ElementoFunção/Leitura
Tema centralO desejo erótico e espiritual por um homem, vivido entre êxtase e dor.
TomConfessional, carnal, místico e por vezes trágico.
Imagens dominantesPássaro, lua, corpo, rocha, voo, serpente. Todas ligadas à tensão entre carne e espírito.
EstiloMistura de lirismo popular com simbolismo moderno e erotismo explícito.
Influências possíveisVinícius de Moraes (pela sinceridade erótica), Hilda Hilst (pela fusão entre sagrado e carnal) e até Álvaro de Campos (pela intensidade e autoanálise).

🔹 10. Conclusão

Quadras Incertas ao Pássaro Convulso” é um poema de fogo e alma — fala do amor homoerótico como força de criação e destruição, desejo e iluminação.
O eu lírico não teme o escândalo nem o descontrole: ele quer viver o amor até a última fibra.
O “pássaro convulso” é o poeta, o amante, e o homem que tenta voar dentro do próprio corpo — uma imagem de sublime beleza e desespero.



terça-feira, 30 de setembro de 2025

William Marques de Oliveira ...Da poesia que trago em meu peito

 

Ah, se vocês soubessem

da poesia que trago em meu peito

Eu poderia rimar com bandido

este peito...

E com poeta menino

o Universo!

Ah, se vocês soubessem

da poesia que este menino

carrega em seu peito!...

Então se explicaria

toda esta rebeldia

e este não aceitar

e este sonhar encantos...

Todos se comoveriam...

Finalmente desobscurecidos!

Saberiam o motivo de sua dor

e como seu coração é

de vendaval e fogo!

Perdoariam sim, tanta irreverência...

Tanta sapiência

e impaciência...

Que só poderia dar em dor!

Neste mundo onde o "certo"

é o "errado"

O "sagrado"

é o "profano"...

Ele sabe de histórias, meu Deus!

Tão antigas quanto o tempo!...

E tem fé na vida

e tem sorte, sim!

O saber sentir,

lhe é um privilégio

E o martírio santo de ser poeta

uma dádiva e uma nova chance!

Imaginem só!

Ninguém pode escutar

a sua voz

Ninguém ousa desatar

os seus nós

E seus rótulos todos

já estão vencidos!











sábado, 16 de agosto de 2025

O Poema de Fogo Libertador

Tem gente que vai te perder por não ter coragem 
de se encontrar pra estar a seu lado. 
Parece só frase mas é doído...
E só depois que perde vê o que estava perdendo.  
E quem passa por isso, tem que entender que o problema está na confusão do outro... 
Apenas lá. 
Às vezes o outro está sofrendo muito mais... 
E o Tempo de Deus sempre nos traz livramentos, 
que ainda ingratos infantes, não percebemos. 
Mas um dia agradeceremos!
E a cura de tudo encontraremos!



Verso Base sem nada ter haver mas tendo:
#versdosdefogo
#fogodivino
#fogosagrado
fogo luz
fogo sagrado
fogo de ideia
versos de fogo


Bill Oliveira William





sábado, 30 de setembro de 2023

4 poemas de João Cabral de Melo Neto

Ele foi  meu amigo que nunca conheci!

E me inspirou a caminhada

o desmanche de mim!


 "Os Rios Que Eu Encontro Vão Seguindo Comigo".




Imagem dAQUI

***********************************************


Tecendo a Manhã

Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

O Cão Sem Plumas

A cidade é passada pelo rio
como uma rua
é passada por um cachorro;
uma fruta
por uma espada.

O rio ora lembrava

a língua mansa de um cão
ora o ventre triste de um cão,
ora o outro rio
de aquoso pano sujo
dos olhos de um cão.

Aquele rio
era como um cão sem plumas.
Nada sabia da chuva azul,
da fonte cor-de-rosa,
da água do copo de água,
da água de cântaro,
dos peixes de água,
da brisa na água.

Sabia dos caranguejos
de lodo e ferrugem

Sabia da lama

como de uma mucosa.
Devia saber dos povos.
Sabia seguramente
da mulher febril que habita as ostras.

Aquele rio
jamais se abre aos peixes,
ao brilho,
à inquietação de faca
que há nos peixes.
Jamais se abre em peixes.

Uma Faca só Lâmina

Assim como uma bala
enterrada no corpo,
fazendo mais espesso
um dos lados do morto;

assim como uma bala
do chumbo mais pesado,
no músculo de um homem
pesando-o mais de um lado;

qual bala que tivesse um

vivo mecanismo,
bala que possuísse
um coração ativo

igual ao de um relógio
submerso em algum corpo,
ao de um relógio vivo
e também revoltoso,

relógio que tivesse
o gume de uma faca
e toda a impiedade
de lâmina azulada;

assim como uma faca
que sem bolso ou bainha
se transformasse em parte
de vossa anatomia;

qual uma faca íntima
ou faca de uso interno,
habitando num corpo
como o próprio esqueleto

de um homem que o tivesse,
e sempre, doloroso
de homem que se ferisse
contra seus próprios ossos.

Alguns Toureiros

Eu vi Manolo Gonzáles
e Pepe Luís, de Sevilha:
precisão doce de flor,
graciosa, porém precisa.

Vi também Julio Aparício,
de Madrid, como Parrita:
ciência fácil de flor,
espontânea, porém estrita.

Vi Miguel Báez, Litri,
dos confins da Andaluzia,
que cultiva uma outra flor:
angustiosa de explosiva.

E também Antonio Ordóñez,
que cultiva flor antiga:
perfume de renda velha,
de flor em livro dormida.

Mas eu vi Manuel Rodríguez,
Manolete, o mais deserto,
o toureiro mais agudo,
mais mineral e desperto,

o de nervos de madeira,
de punhos secos de fibra
o da figura de lenha
lenha seca de caatinga,

o que melhor calculava
o fluido aceiro da vida,
o que com mais precisão
roçava a morte em sua fímbria,

o que à tragédia deu número,
à vertigem, geometria
decimais à emoção
e ao susto, peso e medida.

Morte e Vida Severina

— O meu nome é Severino,
como não tenho outro de pia.
Como há muitos Severinos,
que é santo de romaria,
deram então de me chamar
Severino de Maria;
como há muitos Severinos
com mães chamadas Maria,
fiquei sendo o da Maria
do finado Zacarias.
Mas isso ainda diz pouco:
há muitos na freguesia,
por causa de um coronel
que se chamou Zacarias
e que foi o mais antigo
senhor desta sesmaria.
Como então dizer quem fala
ora a Vossas Senhorias?
Vejamos: é o Severino
da Maria do Zacarias,
lá da serra da Costela,
limites da Paraíba.
Mas isso ainda diz pouco:
se ao menos mais cinco havia
com nome de Severino
filhos de tantas Marias
mulheres de outros tantos,
já finados, Zacarias,
vivendo na mesma serra
magra e ossuda em que eu vivia.
Somos muitos Severinos
iguais em tudo na vida:
na mesma cabeça grande
que a custo é que se equilibra,
no mesmo ventre crescido
sobre as mesmas pernas finas,
e iguais também porque o sangue
que usamos tem pouca tinta.
E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.


Fonte: https://www.revistabula.com/449-os-10-melhores-poemas-de-joao-cabral-de-melo-neto/

Os 10 melhores poemas de João Cabral de Melo Neto



Sobre João Cabral de Melo Neto 

Fonte: Site Toda Matéria LINK: https://www.todamateria.com.br/joao-cabral-de-melo-neto/

Escrito por Daniela Diana
Professora licenciada em Letras


...foi poeta, escritor e diplomata brasileiro. Conhecido como “poeta engenheiro”, ele fez parte da terceira geração modernista no Brasil, conhecida como Geração de 45.

Nesse momento, os escritores estavam mais preocupados com a palavra e a forma, sem deixar de lado a sensibilidade poética. De maneira racional e equilibrada, João Cabral se destacou por seu rigor estético.

Morte e Vida Severina” foi, sem dúvida, a obra que o consagrou. Além disso, seus livros foram traduzidos para diversas línguas (alemão, espanhol, inglês, italiano, francês e holandês) e sua obra é conhecida em diversos países.

Biografia

O pernambucano João Cabral de Melo Neto nasceu no Recife em 6 de janeiro de 1920.

Filho de Luís Antônio Cabral de Melo e de Carmen Carneiro Leão Cabral de Melo, João era primo de Manuel Bandeira e Gilberto Freyre.

Passou parte da infância nas cidades pernambucanas de São Lourenço da Mata e Moreno.

Muda-se com a família em 1942 para o Rio de Janeiro, onde publica seu primeiro livro, “Pedra do Sono”.

Começa atuar no serviço público em 1945, como funcionário do Dasp (Departamento de Administração do Serviço Público).

No mesmo ano, inscreve-se para o concurso do Ministério das Relações Exteriores e passa a integrar em 1946 o quadro de diplomatas brasileiros.

Após passar por vários países, assume o posto de cônsul-geral da cidade do Porto, em Portugal em 1984.

Permanece no cargo até 1987, quando volta a viver com a família no Rio de Janeiro. É aposentado da carreira diplomática em 1990. Pouco depois, começou a sofrer com uma cegueira, fato que o leva a depressão.

João Cabral morreu em 9 de outubro de 1999, no Rio de Janeiro, com 79 anos. O escritor foi vítima de um ataque cardíaco.

Academia Brasileira de Letras

Embora com extensa agenda diplomática, escreveu diversas obras, chegando ser eleito em 15 de agosto de 1968 como membro da Academia Brasileira de Letras (ABL), recebido por José Américo. Em seu discurso de posse homenageou o jornalista Assis Chateaubriand.

Assim, para compensar o laconismo de um “muito obrigado” e expressar meu reconhecimento de outra maneira, quero dizer que me sinto muito honrado em vir a ser um de vós. E não apenas pelo que cada um de vós representa em nossa vida intelectual como porque a Academia, que vós todos, em conjunto, constituís, é uma de nossas instituições em que se tem mantido mais vivo o respeito pela liberdade do espírito. Daí (e não sei de maior elogio que se possa fazer a um corpo de escritores, homens para quem a liberdade de espírito é condição de existência) meu empenho em declarar que, entrando para a Academia, não tenho o sentido de estar abdicando de nenhuma das coisas que me são importantes como escritor.

Na verdade, venho ser companheiro de escritores que representaram, ou representam, o que a pesquisa formal, no nível da textura e da estrutura do estilo, tem de mais experimental; escritores outros cuja obra é uma permanente, e renovada, denúncia de condições sociais que espíritos acomodados achariam mais conveniente não dar a ver; escritores que, em momentos os mais diversos de nossa história política, têm combatido situações políticas também as mais diversas; escritores que, já acadêmicos, têm julgado livremente a Academia, patronos de suas Cadeiras e membros de suas Cadeiras. E tudo isso sem que a Academia tenha procurado exercer nenhuma censura e sem que a posição de acadêmicos tenha levado esses escritores a qualquer autocensura." (Trecho do Discurso de Posse, 6 maio de 1969)

Fonte: https://www.todamateria.com.br/joao-cabral-de-melo-neto/

 

Canja...









sábado, 16 de setembro de 2023

O meu lugar de fala

Depois de ver um branco falando besteiras na net sobre lugares de fala. E como um homem branco é impedido em sua voz e sua fala... 

Fiquei pensando sobre qual seria o meu lugar de fala?

Mas antes a resposta: Pra que um homem branco e heterossexual quer ser ouvido? Eles só falam piadinhas preconceituosas, violência e elitismo! 

Agora quando é um homem branco e heterossexual feito Carl  Marx, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Henrique Cardoso e outros, eles possuem por seus valores atemporais seus lugares de fala! 

Não precisam se impor...


O homem verde de Catarina Rodrigues
Fonte: AQUI



Eu que sou um homem colorido 

(Um Green Man!)

na pele o brando e preto na alma e

e o indígena no modo de ser...

Eu  que sou descendente de índios, 

angolanos, 

espanhóis e franceses… 

Eu que sou das artes, 

do amor e das humanidades...

Tenho lugar de fala pois me permito ter

Tenho lugar de fala como ser humano

Tenho lugar de fala como professor

Tenho lugar de fala por lutar pela inclusão e igualdade 

há mais de vinte anos

Tenho lugar de fala por defender a sexualidade livre e saudável 

Tenho lugar de fala por fazer carnaval

Tenho lugar de fala por ser da macumba

Tenho lugar de fala por ser poeta

Tenho lugar de fala porque quero ter


E já disse várias vezes que aqui, este blog é meu lugar de fala!



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