Do Poema de Sagita
O Poema busca por mim
pergunta de mim as gentes
para os postes
nas ruas...
nos campos...
no deserto.
Eleva-me a gama dos máximos
daqueles que simplesmente cantam
não mais vivem
O Poema vem
e infringe o meu livre arbítrio
de querer ser triste
Ele arromba a porta!
e me toma...
e me obriga a sentir o perfume das mulheres
a tocar as morenices dos homens...
querendo eu ou não
ele retira-me toda visão daquilo que é feio
e desanuvia os olhos
e pinta cada flor dos meus caminhos
colore o céu de um azul vivo
tira de mim
o preto e o branco
da minha visão doente
e humana...
O poema vem
e me toma!
E faz de mim o homem mais belo do mundo!
Um homem cercado de poesia
abatido de verso
inebriado de música
O poema vem e me embriaga
Boca a baixo a vida
me consome
é meu delírio
meu fim
início do que jamais sonhei!
É flecha que voa ao meio dia
é graça que toca a boca dos ímpios
em brasa...!
O poema queimou os meus lábios...
e agora eu só sei cantar!
Imagem James Quaitance
