O Livro:
"Um dos mais esperados livros do ano, A mosca azul é uma revisão honesta da ascensão do PT ao poder vinculada à recente história da esquerda no Brasil e no mundo. Com uma narrativa em primeira pessoa, Frei Betto mescla sua trajetória pessoal à militância política e resgata o sonho de testemunhar "um outro mundo possível" com base nos ideais do socialismo.
O livro não se resume à sua passagem pelo governo Lula à frente do Programa Fome Zero – embora o autor admita a importância do programa para distribuição de renda aos mais pobres através do Bolsa Família. Traz a memória do pai – um guerreiro da esperança – que até o final da vida lutou por seus ideais. Da militância, relembra o cenário político que favoreceu a criação do PT, fala dos momentos importantes que ajudaram a sedimentar a amizade com o presidente Lula e admite a decepção com parcela da esquerda fisgada recentemente pela "mosca azul" no ápice do poder. O escritor saiu do governo pouco antes do episódio conhecido por escândalo do "mensalão" .
Fascinado pelos fatos que marcaram a história, Frei Betto mergulha nas circunstâncias que geraram o efeito Lula e culminaram na eleição do líder sindical a Presidente da República em 2002.
Na viagem ao passado, fala com convicção do ideal construído pela nova esquerda após o golpe militar de 1964, da estratégia política voltada para a capacitação de novas lideranças no movimento popular, da estrela erguida pelo PT sustentada pelo sonho de uma sociedade mais justa."
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O Conceito:
"Diz-se que uma pessoa "foi mordida pela mosca azul" quando ela se mostra deslumbrada com o poder. "
dAQUI
A Síndrome:
Ouvimos com freqüência expressões como “ele foi mordido pela mosca azul” ou “cuidado com a mosca azul”, curiosamente em uma época na qual um mosquito pode influenciar na sucessão presidencial do País. Mas, afinal, o que quer dizer a expressão “mosca azul”? Duas características aparecem associadas ao termo: o apego ao poder e a vaidade. É como que ser “mordido pela mosca azul” levasse a um estado de embriaguez, de alucinação, em que a “vítima” perde a noção da realidade.
Machado de Assis possui um poema com o título de “A Mosca Azul” que versa sobre uma mosca com “asas de ouro e granada”, “refulgindo ao clarão do sol”. O próprio inseto dizia: “Eu sou a vida, eu sou a flor, das graças, o padrão da eterna meninice, e mais a glória, e mais o amor”. Ainda no poema, um paria (homem da mais baixa classe do sistema de castas da Índia) observando a beleza da referida mosca, ficou “deslembrado de tudo, sem comparar, nem refletir”. Passou a ver na mosca o próprio rosto e a sonhar com poder e riqueza. Julgando estar diante de um tesouro, aprisionou a mosca, levou-a para casa e dissecou-a, ocasionando a sua morte. No final, o poema diz que o pária ensandeceu e “que não sabe como perdeu a mosca azul”. FONTE AQUI.
O Poema:
A mosca azul
Era uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.
E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua — melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol.
Um poleá que a viu, espantado e tristonho,
Um poleá lhe perguntou:
— "Mosca, esse refulgir, que mais parece um sonho,
Dize, quem foi que te ensinou?"
Então ela, voando e revoando, disse:
— "Eu sou a vida, eu sou a flor
Das graças, o padrão da eterna meninice,
E mais a glória, e mais o amor".
E ele deixou-se estar a contemplá-la, mudo
E tranqüilo, como um faquir,
Como alguém que ficou deslembrado de tudo,
Sem comparar, nem refletir.
Entre as asas do inseto a voltear no espaço,
Uma coisa me pareceu
Que surdia, com todo o resplendor de um paço,
Eu vi um rosto que era o seu.
Era ele, era um rei, o rei de Cachemira,
Que tinha sobre o colo nu
Um imenso colar de opala, e uma safira
Tirada ao corpo de Vixnu.
Cem mulheres em flor, cem nairas superfinas,
Aos pés dele, no liso chão,
Espreguiçam sorrindo as suas graças finas,
E todo o amor que têm lhe dão.
Mudos, graves, de pé, cem etíopes feios,
Com grandes leques de avestruz,
Refrescam-lhes de manso os aromados seios.
Voluptuosamente nus.
Vinha a glória depois; — quatorze reis vencidos,
E enfim as páreas triunfais
De trezentas nações, e os parabéns unidos
Das coroas ocidentais.
Mas o melhor de tudo é que no rosto aberto
Das mulheres e dos varões,
Como em água que deixa o fundo descoberto,
Via limpos os corações.
Então ele, estendendo a mão calosa e tosca.
Afeita a só carpintejar,
Com um gesto pegou na fulgurante mosca,
Curioso de a examinar.
Quis vê-la, quis saber a causa do mistério.
E, fechando-a na mão, sorriu
De contente, ao pensar que ali tinha um império,
E para casa se partiu.
Alvoroçado chega, examina, e parece
Que se houve nessa ocupação
Miudamente, como um homem que quisesse
Dissecar a sua ilusão.
Dissecou-a, a tal ponto, e com tal arte, que ela,
Rota, baça, nojenta, vil
Sucumbiu; e com isto esvaiu-se-lhe aquela
Visão fantástica e sutil.
Hoje quando ele aí cai, de áloe e cardamomo
Na cabeça, com ar taful
Dizem que ensandeceu e que não sabe como
Perdeu a sua mosca azul.
Imagens dAQUI


Oi, William
ResponderExcluirO poder sempre foi uma das maiores tentações do ser humano e, quando nos damos conta, lá vamos nós por esse caminho AZUL... fútil, ouso dizer... que não leva à Verdade e à Vida...
Deus te cubra de todas as bênçãos que vc necessite e te faça sentir a felicidade!!!
Bjs festivos e gratos de paz